Bruxa da Sapolândia, o livro que revisita lenda urbana de Campo Grande

Atualizado: 2 de jun.

Uma das histórias mais conhecidas do imaginário popular de Campo Grande ganha vida nas páginas de um livro. A obra A Bruxa da Sapolândia, escrita por André Luiz Alvez, revisita uma das lendas urbanas mais emblemáticas de Mato Grosso do Sul, nascida entre brejos, boatos e memórias inquietas da antiga região da Sapolândia. O autor transforma em literatura a trajetória de uma personagem que marcou gerações de campo-grandenses.
Com uma narrativa envolvente, contada, em parte, pelo gato da própria “bruxa” e uma atmosfera carregada de mistério, a obra mistura elementos de true crime e fantasia, transitando entre o que pode ter acontecido e aquilo que foi ampliado pelo imaginário popular.

A narrativa tem origem em acontecimentos registrados na década de 1960, quando uma mulher identificada como Célia de Souza passou a ser associada a crimes e práticas de feitiçaria em uma região conhecida como Sapolândia, em Campo Grande. O caso ganhou repercussão na imprensa local e, ao longo dos anos, ultrapassou os fatos documentados para se consolidar como uma das lendas urbanas mais conhecidas da Capital.
Na obra, André Luiz Alvez propõe um novo olhar sobre essa memória popular ao reconstruir a história sob uma perspectiva literária, explorando os limites entre realidade, mito e imaginação coletiva. Ao longo da trama, a figura da “bruxa” ganha contornos ambíguos, enquanto a narrativa provoca reflexões sobre medo coletivo, julgamentos precipitados e a forma como determinados relatos atravessam gerações e se consolidam como parte da memória popular.
Lançado originalmente em 2011, o livro segue despertando interesse de leitores e pesquisadores por abordar um episódio que atravessa gerações e permanece vivo no imaginário sul-mato-grossense.

Mais do que revisitar uma história cercada por medo e mistério, A Bruxa da Sapolândia propõe uma reflexão sobre a forma como as narrativas populares são construídas e perpetuadas ao longo do tempo, além de ser o tipo de leitura que intriga e provoca uma pergunta inevitável: era realmente uma bruxa ou apenas uma mulher transformada em monstro pela sociedade?



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